Protesto de estudantes contra o Enem marca o início da Feira do Livro

A 57ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre foi aberta na tarde desta sexta-feira (28). Em uma cerimônia marcada pela ausência da presidente Dilma Rousseff, que chegou a confirmar sua participação no Teatro Sancho Pança (Armazém D do Cais do Porto), mas cancelou a agenda na véspera, os destaques ficaram por conta de um protesto organizado por estudantes gaúchos contra a fórmula do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), a despedida do presidente da Câmara Rio-grandense do Livro (CRL) e de Paixão Côrtes do patronato.
Após dois mandatos, João Carneiro anunciou que não estará à frente da entidade no próximo ano. Abrindo os discursos no Armazém D do Cais do Porto, ele fez um balanço do período em que liderou a preparação do evento na Praça da Alfândega."A Feira é um espaço de resistência do escritor, do livreiro, do tradutor, do Ilustrador, dos professores e, sobretudo, do leitor. Qualquer porta de entrada para a literatura é considerada sagrada para nós e ainda há leitores que precisam descobrir a Feira do Livro", avaliou.
Se uma das novidades da edição 2011 serão as datas temáticas, as "despedidas" e as "boas vindas" deram o tom da abertura. O patrono de 2010, Paixão Côrtes, convidou o público a cantarolar os versos de "Prenda Minha" antes de passar a função a Jane Tutikian. Bastante emocionada, a nova patrona teve dificuldades para conter as lágrimas ao agradecer a honraria e acabou consolada pelas palmas da plateia.
Para Jane, mesmo com os avanços tecnológicos, o livro "como nós o conhecemos" terá uma vida longa. "Este é um momento de rara emoção. Vivemos em uma sociedade marcada por avanços, mas sou daqueles escritores que acredita no poder das palavras. Sou daqueles escritores que guarda a certeza de que o livro resistirá como um patrimônio cultural da humanidade", defendeu.
Enquanto autoridades como o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, o governador do Estado, Tarso Genro, e a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, eram unânimes em classificar a Feira como "democrática", um pequeno grupo de estudantes - que já protestava com cartazes e fantasias de palhaço dentro do armazém - era reforçado do lado de fora do Teatro Sancho Pança.
Fortunati alegou não saber se a Feira de Porto Alegre é a maior do mundo, mas garantiu que "é a mais democrática". Na mesma linha, Tarso relembrou a atitude de governos autoritários, cuja primeira medida tomada era a queima de livros contrários à ideologia dominante. Por coincidência, o discurso do governador teve de ser acelerado e acabou ofuscado pelas frases de ordem dos cerca de cem manifestantes que - barrados pela organização - batiam nas portas e pediam para entrar no local e se reunir com um grupo menor que já exibia cartazes e manifestava indignação com o modelo adotado pelo Enem.

Fotos MARCOS NAGELSTEIN/JC
Mesmo sem a presença de Dilma, abertura oficial da Feira teve manifestação de jovens
Mesmo sem a presença de Dilma, abertura oficial da Feira teve manifestação de jovens

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