Indignados com o vazamento de questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), os estudantes que protestaram durante a abertura oficial da Feira do Livro explicaram o motivo das manifestações.
De acordo com o grupo, desde a reformulação do Exame - comandada pelo ministro da Educação, Fernando Haddad - em todas as edições, nos últimos três anos, as provas apresentaram algum tipo de problema que compromete a credibilidade da avaliação.
Criado para substituir os vestibulares nas universidades públicas em curto prazo, a mais recente edição do Enem, realizada no final de semana passado por mais de 4 milhões de estudantes em todo o País, já está sob investigação. Nesta sexta-feira (28), a Justiça Federal do Ceará deu prazo de 72 horas ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) para que se manifeste sobre o pedido do Ministério Público Federal no estado de anulação total ou parcial das provas.
O pedido de anulação foi feito após a notícia de que estudantes de um colégio cearense receberam uma apostila, semanas antes do Enem, com 14 questões idênticas às do exame nacional. Os itens fizeram parte de um pré-teste, do qual os alunos participaram em outubro de 2010. De acordo com o procurador, como os alunos tiveram acesso antecipado às questões, o exame deveria ser anulado porque houve violação do princípio da isonomia.
Por isso, cerca de cem estudantes de diferentes escolas de Porto Alegre se reuniram nas redes sociais e combinaram o protesto. Para eles, a prova precisa ser reformulada para estimular a "lisura" e a "transparência" do processo. A aluna do cursinho pré-vestibular Universitário, Náthalia Ávila Neves, contesta algumas declarações do ministro, quanto ao Enem se tornar o substituto legítimo do vestibular e a maior "segurança" gerada para os egressos do ensino médio.
Segundo ela, o método utilizado pelo exame atualmente não permite sequer que os alunos tomem conhecimento do peso estipulado para a avaliação de cada uma das 180 questões da prova. "Não sou contra o exame, mas o método já deu mostras de sua ineficiência e precisa ser revisto. Todas as edições, desde a reformulação do Enem há três anos, foram marcadas por alguma polêmica envolvendo a lisura do método. Isto é inaceitável", argumenta a estudante.
Além de reivindicar a queda do ministro, o grupo ainda defendeu alterações no sistema de correção. Segundo Náthalia, professores em estados como o Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro são mais qualificados do que educadores do Amazonas por exemplo. De acordo com ela, o fato gera uma discrepância nas notas.
"Nas redações, a avaliação tende a ser mais rigorosa na Região Sul e, ironicamente, as notas da Região Norte acabam sendo mais altas, justamente, pela falta de qualificação dos professores que realizam a correção das provas", alerta a estudante que ainda chama a atenção para a necessidade de reavaliar a regionalização do Enem.
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